01 fevereiro 2012

Resenha| A vida em tons de cinza

Boa noite, tracinhas !

Hoje trago para vocês a resenha do livro "A vida em tons de cinza", da autora Ruta Sepetys,
publicado aqui no Brasil pela Editora Arqueiro.
Esse livro para mim tem uma historia toda especial envolvida na maneira como o conheci e como o ganhei de presente, mas já contei antes para vocês num vídeo correio postado anteriormente. Também tive o privilégio de entrevistar a escritora, postagem que vocês encontrarão aqui.
Mas vamos ao que nos interessa não é? A resenha . \o




Sinopse: Lina Vilkas é uma lituana de 15 anos cheia de sonhos. Dotada de um incrível talento artístico, ela se prepara para estudar artes na capital. No entanto, a noite de 14 de junho de 1941 muda para sempre seus planos.
Por toda a região do Báltico, a polícia secreta soviética está invadindo casas e deportando pessoas. Junto com a mãe e o irmão de 10 anos, Lina é jogada num trem, em condições desumanas, e levada para um gulag, na Sibéria.
Lá, os deportados sofrem maus-tratos e trabalham arduamente para garantir uma ração ínfima de pão. Nada mais lhes resta, exceto o apoio mútuo e a esperança. E é isso que faz com que Lina insista em sua arte, usando seus desenhos para enviar mensagens codificadas ao pai, preso pelos soviéticos.
A vida em tons de cinza conta a história de um povo que perdeu tudo, menos a dignidade, a esperança e o amor. Para construir os personagens de seu romance, Ruta Sepetys foi à Lituânia a fim de ouvir o relato de sobreviventes dos gulags. Este livro descreve uma parte da história muitas vezes esquecida: o extermínio de um terço dos povos do Báltico durante o reinado de horror de Stalin.
Para Estônia, Letônia e Lituânia, essa foi uma guerra feita de crenças. Esses três pequenos países nos ensinaram que a arma mais poderosa que existe é o amor, seja por um amigo, por uma nação, por Deus ou até mesmo pelo inimigo. Somente o amor é capaz de revelar a natureza realmente milagrosa do espírito humano.

Editora: Arqueiro
Autor(a): Ruta Sepetys
Número de Páginas: 240

Minha Resenha:

A sinopse desse livro fala bem do que se trata a história vivida pela adolescente Lina Vilkas, então, vou tentar contar o que achei do livro sem revelar demais, porque em se tratando do mesmo eu sou muito suspeita, pois amei cada frase, cada página... tudo. Preciso tentar ser imparcial.

A Lina pessoal, era uma moça delicada, tinha uma boa vida, junto do irmão Jonas de 10 anos e seus pais, em Kaunas - Lituânia. Era uma artista, uma desenhista que com seu talento havia conseguido uma bolsa de estudos em uma conceituada escola em Vilnius, uma cidade que ficava distante algumas horas de onde ela morava.
A todo tempo Lina tem esses flashes dos acontecimentos que já viveu, o que nos ajuda a entender as coisas, o relacionamento com os pais, e o porque de seu pai, Kostas Vilkas, ser um dos deportados, junto com a família.
Sim, é isso que acontece.
Numa noite, Lina, sua mãe e seu irmãozinho são levados de sua casa, de seu conforto, juntamente com outras pessoas, sem explicação alguma. Pelo menos as crianças não tinham noção do porque daquela barbárie.

Pág. 12




Lina e sua família foram colocados dentro de um veículo e encaminhados para a porta de um hospital. Ficaram lá, esperando os soldados buscarem uma mulher que estava dando a luz, e sem piedade a tiraram da mesa de parto, junto com o bebê e a jogaram no caminhão, e assim se inicia a viagem rumo ao desconhecido, rumo a torturas, sofrimento, fome, frio... enfim ... o holocausto.
Eles são jogados em vagões de gado, para serem transportados todos juntos, mulheres, crianças, velhos e doentes, e os homens são levados separadamente, porque os russos não queriam que os "inimigos" procriassem, então separavam homens e mulheres.
Eram tratados feito porcos, como lixo, uma parte da história que eu realmente não conhecia, a desse povo maravilhoso. O fato é que a autora se baseou em fatos reais, no que aconteceu aos seus antepassados e com milhões de pessoas, em 1941 quando a União Soviética estava sob o comando de Stalin, em seu reinado de carnificina e pavor.
Durante a viagem muitas atrocidades, as pessoas a cada momento se sentem humilhadas como seres humanos, maltratadas em sua dignidade, mas Lina tem como exemplo sua doce mãe, Elena Vilkas, uma mulher que em sua grandiosidade de alma ajuda a todos, divide o pouco que tem para alimentar os filhos e a todos os que estão ao seu lado, o tempo todo ela é uma lição de solidariedade que nos faz ir tendo forças para continuar a ler.
Bom, nesse vagão Lina conhece Andrius Arvydas. Um rapaz de sua idade, que tinha sido embarcado com sua mãe. De pronto Lina meio que implica com ele, mas assim nasce um amor que suplanta tudo, os anos de exílio, a fome e a separação.
Eles são levados para lugares bizarros, não tem como eu ir contando, detalhando, vocês precisam ler. Ficam um bom tempo trabalhando num campo, colhendo batatas, beterrabas, sobrevivendo como podem( com a parca ração de pão e roubando alimentos quando podem), e o amor de Lina e Andrius amadurecendo. Jonas adoece, com escorbuto, quase morre, mas é salvo .
Depois algumas pessoas são levadas de novo embora, Lina, Elena e Jonas estão entre essas pessoas, mas Andrius não, eles são separados, mas Andrius promete que vai encontrar Lina onde quer que ela esteja.
Um detalhe importante, Lina, artista que é, sempre que possível e com meios parcos sempre retrata tudo, com desenhos disfarçados, o que seu povo está passando, na esperança de que um dia esses desenhos cheguem até seu pai, e eles os resgate.
Do campo onde estavam eles foram levados para um gulag Sibéria, cruzam o Círculo Polar Ártico e lá são deixados, sem provisões, sem moradia, só frio, gelo, frio, doenças, morte e mais frio.
Lituanos deportados para Trofimovsk na região do Mar Laptev, uma área de intenso frio ao norte do Círculo Polar onde viviam nos gulag. A foto é de 1949. Estas deportações ocorreram em 1941.Em 1942-43, um terço das pessoas deportadas morreram, principalmente crianças e idosos.


Você vai lendo e vai dando um nó na garganta. Sim, tiveram soldados russos com coração e alma suficiente para ajudar, para não estuprar, para não espancar, para ás vezes darem uma pequena ração de pão a mais( eles tinham que trabalhar pesado por uma ração de pão seco de 300 gramas durante um dia inteiro), mas esses poucos se foram no esquecimento, esses foram heróis de um povo sobrevivente, que superaram o horror ,e voltaram para Lituânia, Letônia, Estônia, e se calaram, mas perdoaram. Para continuar vivendo.
Se vocês lerem a entrevista que está aqui no blog, e assistirem ao vídeo também postado entenderão tudo, a escritora através de entrevistas com sobreviventes e descendentes e pesquisas com historiadores lituanos escreveu esse livro baseando-se em fatos reais, e lendo o livro vocês vão pegando aqui e ali as histórias se mesclando, vejam o vídeo e leiam o livro, e vão saber o porque falo isso. Eu precisei me policiar demais para escrever essa resenha, fiquei sentindo vontade de ir contando tudo, nossa, aí eu ia contar o livro inteiro, e isso não está certo né? Acho que posso ter pecado em deixar algum fato legal de lado, mas não foi proposital, ou porque estava com pressa, foi devido o medo de falar demais... rs
Eu RECOMENDO esse livro, você não estará lendo um livro de cabeceira, não estará lendo um conto fantástico, esse livro é doloroso, mas necessário, porque a verdade é necessária de ser dita, e Ruta Sepetys o fez com louvor .


Pág. 236

Agora eu te pergunto, você sobreviveria a tudo isso, a toda essa humilhação, as condições subumanas,você sobreviveria ao exílio de tudo aquilo que considera o mínimo do normal para viver?



Beijos da Vivi Blood.











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23 comentários:

  1. Ai meu Deus, adorei! Pelo visto é emocionante e cheio de momentos fortes e reflexivos. Mexendo com os sentimentos. Vou comprar o quanto antes, preciso lê-lo ♥ Parece triste, porém, real.
    Preciso de um choque de realidade. Linda resenha Vivi, me atiçou muuuito pra ler *___*
    Lerei esse ano ainda (;
    A capa é linda. Fiquei com uma dor no coração agora :S Parece ser super forte... Mas enfim, quando eu ler, lhe digo o que achei...
    Ótima dica, ótima resenha <3
    Sucesso SEMPRE Vivi, beeijão ;*

    Ewerton Lenildo - Academia de Leitura
    papeldeumlivro.blogspot.com
    @Papeldeumlivro

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  2. Olá Viví tudo bem?

    Perfeita sua resenha. Sabe já é a segunda ou terceira resenha que leio sobre esse livro... Eu estou relutando em procurá-lo porque parece meio deprê, mas você falou tão bem que acho que vou mudar de idéia. Hahahahahhahaha.

    Um beijão minha amiga e fica com Deus!

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  3. Oi,Vivi!
    Que resenha magnífica!!!
    Adoro livros sobre guerras,eles sempre nos transmitem muitos ensinamentos.A emoção é sempre garantida.Tenho esse livro mas ainda não tive a oportunidade de lê-lo.Preciso adiantá-lo na minha lista de leitura.
    Parabéns pela linda resenha!
    Bjs...
    Zilda Mara
    Cachola Literária

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  4. Oi Vivi
    Que forte o livro ein?! Ele parece ser um livro onde muitos irão aprender, a serem pessoas melhores, ou a simplesmente fazerem uma ocmparação com a forma que vivem hoje. Acho que quanto mais forte o livro, mais realista e mais se pode aprender, esse é um livro que parece ser triste ou deprê como pessoal disse, mas é um livro de muitos ensinamentos.
    Bjs
    Raquel Miranda
    Nós e Livros

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  5. Oi Vivi,

    Perfeita a crítica! Ontem quando li a entrevista da autora, não fiquei tão down. Já li vários livros sobre o holocausto na segunda guerra, mas sempre sob a visão do nazismo e não de Stalim que penso, que foi tão cruel e desumano como Hitler.

    Todavia, vejo a leitura desse título como importante para o resgaste e memória da luta, dor e, claro, da esperança.


    Beijos.

    Lu

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  6. Olá Vivi.
    Meu Deus, já tinha um certo conhecimento desse livro, quando me falaram que lágrimas rolavam direito conforme a leitura fluía. Mas não tinha noção que era assim :/
    Tipo acho super interessante lermos coisas desse (e de todos os gêneros) principalmente os baseados em fatos reais para termos uma noção do que rola pelo mundão afora. Mas é realmente de chocar algumas coisas, não é? Como são capazes de fazer algumas coisas com os próprios seres humanos?
    Enfim, adorei a resenha. Adorei a opinião, o que é mais importante ainda!

    Seu blog tá lindo como sempre Vivi.
    Beijos, suceeeeesso!
    http://bestherapy.blogspot.com/

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  7. Oi Vivi, que livro marcante esse, tem fortes emoções, este livro é para ler e fazer chorar ao mesmo tempo e sentir tudo que passaram...
    Ainda não tive oportunidade de ler este livro, mais eu espero ter um dia!!!
    Beijos linda, depois passa no blog, tem resenha lá...

    http://dailyofbooks.blogspot.com/

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  8. Vivi, parabéns! Você falou tãão bem do livro, que, estou impressionada
    ! Depois de ler a entrevista, fiquei com muita vontade de ler, mas, depois que li a tua resenha... UOU, preciso ler esse livro, rsrs

    Beijos,
    http://naminhaestanteliivros.blogspot.com/

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  9. Olá Vivi!
    Nossa a sinopse do livro me emocionou muito,achei a história surpreendente.
    A sua resenha está super completa,estou bem curioso pra ler e pelo visto vou chorar bastante.
    Um forte abraço!

    Bruno
    http://oexploradorcultural.blogspot.com

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  10. Hum, esse parece ser um bom livro, depois que li a entrevista aqui fiquei super curioso para ler. Tá na lista de desejos!

    Abraços

    Alef Dalle Piagge
    http://adpiagge.blogspot.com

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  11. Oi, Vivi!

    Adorei a resenha e o novo layout do blog!

    Beijos!

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  12. Olá!!! Eu adorei o seu blog e já me tornei sua seguidora!! Também te convido a conhecer o meu cantinho e participar de um sorteio com 15 itens fofos!! Vou adorar receber a sua visita!! Beijão ♥

    www.todacharmosa.com
    @pathyamorinha

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  13. Olá Vivi,
    Pela sinopse, já percebi que o livro, tem uma história, bem forte.
    Fiquei curiosa, para saber o que aconteceu com a Lina e a sua família; já ta na minha lista.
    Ótima resenha.
    *Bye*

    loucaporromances.blogspot.com

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  14. Amei o novo visual do blog.
    Beijinhos.
    moniquelavra.blogspot.com

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  15. Fiquei curioso demais para ler o livro... Acho que ficções sobre o holocausto já estão um tanto saturadas, tanto na literatura, quanto no cinema, de fato é um dos assuntos que mais vendem livros atualmente. No caso deste, ele já tem a vantagem de não ser sobre o holocausto, apesar de ser uma temática similar, confesso que me interessei mais pelo lado histórico, que pelo que entendi a escritora explora muito bem (vê se pelo trabalho de pesquisa)... Conheço relativamente pouco da história da antiga URSS...

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  16. Ahhh, parabéns pelo novo visual do Blog, ficou ótimo! Manteve a leveza de cores, que ajuda muito na leitura e ganhou um charme a mais!

    Beijão!

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  17. Ah, não tenho nem muito o que dizer, você já sabe o que eu digo das suas resenhas, rs. Mas vou dizer de novo, ficou ótima, esclarecedora como sempre.
    Blog com novo visu, gosti desse, rs. Desculpa Vivi, mas preciso ser sincero, esse está beem melhor que o outro. Enfim, perfeito!

    Bjão! Até mais...

    http://oracoesparabobby.blogspot.com/

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  18. OLÁ MINHA QUERIDA VIM PRESTIGIAR O VOSSO BLOG E ARTIGO, SOU O BRUNO
    DO BLOG "O SENHOR DO TEMPO", TAMBÉM EDITO ESTE BLOG O "VERDADE OCULTA".

    OBRIGADO POR SEMPRE VISITAR MEU ESPAÇO, SEMPRE SERÁ BEM VINDA.

    BRUNO

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  19. OLÁ MINHA QUERIDA VIM PRESTIGIAR O VOSSO BLOG E ARTIGO, SOU O BRUNO
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    BRUNO

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  20. Heey, adorei o seu blog! Estou seguindo, segue o meu também?
    http://estanteseletiva.blogspot.com/

    Beijos,
    Wanessa Guimarães
    www.estanteseletiva.blogspot.com

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  21. Oi Vivi, amei a carinha nova do blog.
    Gostei que a sua resenha foi bastante objetiva, sem revelar os detalhes. Fiquei super curiosa para saber o desfecho da história.
    Bjos

    Jack

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  22. Oi, Vivi.
    Tem selinhos para você lá no blog.
    Beijinhos.
    moniquelavra.blogspot.com

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  23. Oi Vivi, Parabéns!!! Adorei sua resenhas com fotos da história desse livro, que é no mínimo emocionante... A pesquisa do autor pra este tipo de livro é essencial, e a Ruta fez uma excepcional!
    A história é muito sensivel, e tocante... e que sabemos agora que aconteceu de verdade... embora seja uma história contada por personagens ficticios.
    Adorei sua resenha!!
    Bjs
    MauMau - Sonhos e Resenhas

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